Em posts anteriores, compartilhei o Timeline DevOps com os principais marcos que ajudaram na alavancagem das práticas DevOps, também um resumo da Jornada DevOps e seus principais benefícios. Neste post, vamos abordar conceitos iniciais importantes e como evitar algumas “armadilhas” nas implementações.

O ponto inicial é a definição sobre DevOps. Aqui sempre há confusão em relação ao que será implementado, o problema a ser resolvido, as ferramentas utilizadas (DevOps não é somente uso de ferramentas), etc. É importante começar certo! Abaixo, compartilho a definição O que é DevOps de duas das maiores empresas do mundo – Microsoft e AWS.

O que é DevOps

devops-microsoft

By Microsoft

É a união de pessoas, processos e produtos para permitir a entrega contínua de valor aos nossos usuários finais. A contração de “Dev” e “Ops” refere-se à substituição do Desenvolvimento e Operações em silos para criar equipes multidisciplinares que agora trabalham em conjunto com práticas e ferramentas compartilhadas e eficientes. As práticas essenciais do DevOps incluem planejamento ágil, integração contínua, entrega contínua e monitoramento de aplicativos.

DevOps-AWS

By AWS: é a combinação de filosofias culturais, práticas e ferramentas que aumentam a capacidade de uma empresa de distribuir aplicativos e serviços em alta velocidade: otimizando e aperfeiçoando produtos em um ritmo mais rápido do que o das empresas que usam processos tradicionais de desenvolvimento de software e gerenciamento de infraestrutura. Essa velocidade permite que as empresas atendam melhor aos seus clientes e compitam de modo mais eficaz no mercado.

Em resumo, gosto de compartilhar a seguinte visão consolidada sobre DevOps:

Colaboração e comunicação

Melhorar a colaboração e comunicação entre as equipes de Dev e Ops

Qualidade e segurança

Entrega frequente de valor aos clientes com qualidade e segurança


O que não é DevOps

E como cada área da organização até então entendia DevOps? Tudo isso (desenho abaixo) representa uma visão muito segmentada, ou parcial, sobre o entendimento de DevOps. Por isso, a visão consolidada (comentada anteriormente) é tão importante. É comum, por exemplo, equipes de desenvolvimento associarem práticas DevOps apenas com a automação de tarefas como de build e release.

Leia mais sobre os três pilares DevOps (Pessoas, Processos e Ferramentas): Link 1 | Link 2 | Link 3.

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DevOps Tricks

Entre as principais armadilhas das implementações DevOps estão:

  • “I Know DevOps”: como DevOps vai muito além do uso de ferramentas, a cultura organizacional (aprendizado contínuo) e o desenvolvimento do time são essenciais para evitar problemas técnicos e com pessoas (ambiente colaborativo e sem silos).
  • “Immigration is a lot like DevOps, you need containers”: outro erro clássico é simplesmente buscar soluções sem antes verificar a aplicabilidade ao seu ambiente ou até mesmo o nível de maturidade do time para utilizá-las.
  • “What if I told you, DevOps and Agile are not the same thing”: é comum ver em alguns eventos a associação do ciclo Ágil ao DevOps. É uma combinação que pode funcionar muito bem sim, mas não confunda com um depender do outro.
  • “Worked fine in Dev – ops problem now”: o típico erro de gestão de configuração, ambientes e integração contínua. Na máquina do desenvolvedor sempre funciona!

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Pipeline de implantação

O termo pipeline é muito utilizado em DevOps, pois é onde está o foco em automatizar os processos e garantir a entrega contínua de aplicações em produção com eficiência e confiabilidade. Em geral, o processo na empresa para lançamento de um produto (ou nova funcionalidade) é:

  1. Visão do produto: o que é esta nova funcionalidade
  2. Time de Dev: realizar o desenvolvimento iterativo e incremental de uma nova versão a cada iteração
  3. Área de operação: implementação e manutenção
  4. Geração de valor para o cliente

pipeline-implantacao.png

O Fluxo de valor cobre desde a concepção do produto até a geração de valor para a empresa. A última milha é extremamente importante neste contexto, pois considera aspectos da entrega do produto, tais como a configuração de ambientes e automação de testes.

As práticas DevOps são essenciais para criar o pipeline de implantação, disponibilizando novas versões de software o tempo todo ao cliente. O Feedback contínuo vai guiando a estratégia da empresa, eliminando barreiras entre os departamentos. Isso permite a colaboração entre as pessoas para gerar valor ao cliente.

Antipatterns DevOps

Antipatterns do Deploy Manual

continuous-delivery
Livro
Continuous
Delivery
(Jez Humble
David Farley)

  • Documentação extensa com os passos a serem seguidos e procedimento de rollback em caso de falha
  • Confiança em testes manuais p/ confirmar o funcionamento das aplicações
  • Correções frequentes na implementação da release
  • Ambientes em cluster com configurações diferentes (por exemplo: servidores de aplicação com diferente connection pool settings, etc.)
  • Releases com resultado imprevisível (e necessitam de frequentes rollbacks para resolver problemas)

Antipatterns de Gestão da Configuração Manual

continuous-deliveryLivro
Continuous
Delivery
(Jez Humble
David Farley)
  • Deploy frequentemente bem sucedido em staging, mas falha no ambiente de produção
  • Demora na preparação de ambiente
  • Impossibilidade de retornar a uma configuração anterior da aplicação (OS, application server, RDBMS, etc).

“In software, when something is painful, the way to reduce the pain is to do it more frequently, not less. So instead of integrating infrequently, we should integrate frequently”.